O filme "Múltiplos Riscos" é um longa-documental que se propõe a discutir sobre a incidência e problemáticas relacionadas à Esclerose Múltipla (EM), em situações de risco como no caso da Pandemia, ocorrida em função da Covid-19, em 2020, seguindo a tradicional linha de abordagem documental que são as entrevistas e depoimentos de agentes-sociais.

A estrutura narrativa segue uma linha que busca analisar o comportamento dos pacientes frente a uma situação de risco. Desse modo, caminhamos em direção à uma análise existencial onde o pensamento sobre o “eu” analisa sua relação com o meio e desencadeia discussões sobre os depoimentos colhidos a fim de levar informações úteis que possam servir de norteador a familiares, área da saúde, serviços sociais e governantes. É importante frisar que, acima de tudo, este é um filme sobre pessoas. A estrutura básica do filme são as perguntas direcionadas aos agentes-sociais, aqui retratados como personagens não ficcionais de representatividade, onde busca-se questionar o “ser” e o “estar”, da pessoa com Esclerose Múltipla, frente a atual situação de Pandemia. Tendo em vista os distintos modos de analisar esse tema, e as formas como cada um encara sua própria situação, o filme também procura desenvolver ao seu decorrer subtemas como qualidade de vida, busca por informações precisas e confiáveis, junto à importância da manutenção do tratamento para melhoria do paciente, nestas condições de crise.

O que é esclerose múltipla?

Dra Ana Maria Canzonieri

A esclerose múltipla (EM) é uma doença de prevalência em adultos jovens, na faixa etária de 20 a 40 anos e em mulheres na proporção de 2:1. É inflamatória, desmielinizante do sistema nervoso central (SNC), crônica, degenerativa e progressiva (Russo, 2010; Dutra, 2012; Quintiliano, 2020). As evidências sugerem que a EM é resultado de um processo autoimune que envolve o sistema imune inato e o adaptativo, que ainda por motivos desconhecidos causam uma auto destruição na bainha de mielina das fibras nervosas (Russo, 2010; Dutra, 2012; Quintiliano, 2020). Há uma combinação de predisposição genética, estilo de vida, exposição aos agentes infecciosos, baixa exposição à luz solar, deficiência de vitamina D, obesidade e tabagismo (Russo, 2011; Dutra, 2012; Quintiliano, 2020). As pesquisas apontam, mas não fecham a conclusão para a existência de maior relação entre o grau de parentesco entre uma pessoa com EM e o surgimento de novos casos em família (Russo, 2011; Dutra, 2012; Quintiliano, 2020). Nas últimas décadas obtivemos avanços na descoberta dos mecanismos de desenvolvimento e controle da EM, mas ainda não temos nenhum tratamento eficaz, portanto, não há cura (Russo, 2011; Dutra, 2012; Quintiliano, 2020). DUTRA, R. C. Esclerose múltipla: terapias e particularidades de uma doença neurodegenerativa. Rev. Técnico Científica, 2012, 3:1. QUINTILIANO, R. P. S. Estudo das subpopulações de linfócitos b no sangue periférico e líquido cefalorraquidiano de pacientes com esclerose múltipla primária progressiva. Tese de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas Instituto de Biologia. 2020. RUSSO, L. Aspectos neurológicos da esclerose múltipla. In M. C. B. Giacomo (Coord.), Esclerose múltipla: O caminho do conhecimento entre pedras e flores. Atha, 2011, 16-33.